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terça-feira, 18 de dezembro de 2012

O americano armado

As discussões sobre o massacre de Newtown têm focado muito o problema das armas. Não me parece o essencial, embora o considere muito importante. Mas, afinal, quem quiser matar em massa, pode lançar uma bomba artesanal, um Molotov, ou até esmigalhar crânios com um taco de baseball. O problema é outro. As armas são apenas o instrumento de uma cultura de violência e de des/para-socialização da construção da sociedade americana.

A América é uma realidade complexa, desafiadora de qualquer mente aberta. Foi muito fácil, na guerra fria, fazer a sua diabolização. Lembro-me de uma colega, cientista supostamente racional mas comunista ultra-sectária, ter sofrido com a necessidade de ir a um congresso aos Estados Unidos, ter um passaporte para o inferno.

Não há uma América, como é que podia haver. Há o leste gravitando em torno de Nova Iorque, das univerrsidades Ivy League, há a Califórnia; há o sul texano; há o polo dos grandes lagos; tudo o que eu conheço. E mais, há o interior, "middle west", que só conheço por uma imagem talvez estereotipada do cowboy, dos filmes com os clientes brutos dos bares e dos motéis. 

Talvez tenha sido mais importante para mim conhecer americanos antes de conhecer a América, quando tive excelentes colegas americanos no meu instituto suíço. 1973, era o Vietnam e o Watergate. Na maioria, eram liberais ou radicais, coisa difícil de definir, fora dos esquemas ideológicos e partidários europeus. Eram contra a guerra do Vietnam, eram Woodstock, interrogavam-me entusiasticamente sobre a revolução em Portugal. Muitas vezes eram mais radicais do que eu, outras vezes pareciam-me presos à "democracia americana". O que não percebiam era isso de eu então ser comunista! E eu não percebia coimo eles podiam desconhecer o simples significado da palavra "socialismo".

Mais tarde, em idas sucessivas aos EUA, quase anuais, passei por muitas conversas com amigos anti-Reagan, depois apoiantes de Clinton em plena campanha eleitoral, estive num “meeting” científico que alterou o seu programa para podermos todos assistir, pela TV, à libertação de Mandela, muito mais tarde, já reformado mas recordado e convidado pelos meus amigos, assinei manifestos promovidos por amigos americanos contra a guerra do Iraque e contra a prisão de Guantanamo. Saravá, Dick, Sue, Bob, Linda, Mark, Steve, Donald, Paula, Enzo, Daram, etc., etc. Para além do muito que desde então conheço da América, hoje cada vez mais vejo que é de lá, dos seus economistas progressistas, que nos vem alento e bons conselhos, na nossa crise económica e financeira.

Um dos livros mais importantes que li nos últimos tempos foi o “The American Future”, de Simon Schaman. A história da construção da América, da solidificação dos seus valores, depois dos conflitos entre esses valores na guerra da Secessão, da síntese entre a cultura dos pais fundadores, puritanos, "wasp" e as mais diversas culturas de imigrantres (até os meus patrícios ilhéus) é fascinante. Não é possível que um país passe facilmente de um espaço limitado na costa leste, das 13 colónias fundadoras até ao domínio do enorme território atual. 

Foi essencial um grande sentido prático de ordenação das comunidades colonizadoras, de “lei natural” da sua origem inglesa, de supremacia do direito de defesa individual, de proteção armada da família. “Wild west”. Ou o juiz Roy Bean e o seu urso. Também, mais execravelmente, “a good indian is a dead indian”. Também que, sem o poder armado do homem comum, não teria havido KKK. Mas, infelizmente, a história não é feita por madres Teresa de Calcutá. Felizmente, também não por Gaspares, que vêm e vão, a onda bate e rebate mas a praia fica e nós a nadarmos.

E os massacres loucos de “mass murders”, como este de Newtown? Não tenho competência de Psicologia e de Sociologia para os discutir. Tendo a associá-los, em termos de desumanidade, a atentados de 11 de setembro ou de Atocha, a bombistas suicidas e coisas do género, ao monstro norueguês, mas talvez haja diferença, porque os últimos invocam uma ideologia. Os “mass murders” são só psicopatas. Ou sociopatas? Caso possível de interseção é o do norueguês. Claramente um psicopata, mas também alimentado por uma ideologia sociopática, o que não vemos nos casos americanos.

Concluindo, sou absoluto adepto do controlo das armas, do controlo dessa tenebrosa instituição americana National Riffle Association, até pelo menos há algum tempo presidida por Carlton Heston, mas julgo que há muito mais de patológico por detrás de uma respeitável professora, mãe de família, ter quatro armas mortíferas em casa, nem sequer resguardadas da possibilidade de acesso por um filho jovem. Um filho jovem que ela – e mais quem? – criou como um monstro.

NOTA – Veio bem a propósito uma apresentação que me mandaram: "Supermercado como este, só nos EUA".

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Senhora Dona...

Carta de um passado futuro, de Isabel do Carmo:

O primeiro-ministro anunciou que íamos empobrecer, com aquele desígnio de falar "verdade", que consiste na banalização do mal, para que nos resignemos mais suavemente. Ao lado, uma espécie de contabilista a nível nacional diz-nos, como é hábito nos contabilistas, que as contas são difíceis de perceber, mas que os números são crus. Os agiotas batem à porta e eles afinal até são amigos dos agiotas. Que não tivéssemos caído na asneira de empenhar os brincos, os anéis e as pulseiras para comprar a máquina de lavar alemã. E agora as jóias não valem nada. Mas o vendedor prometeu-nos que... Não interessa.

Vamos empobrecer. Já vivi num país assim. Um país onde os "remediados" só compravam fruta para as crianças e os pomares estavam rodeados de muros encimados por vidros de garrafa partidos, onde as crianças mais pobres se espetavam, se tentassem ir às árvores. Um país onde se ia ao talho comprar um bife que se pedia "mais tenrinho" para os mais pequenos, onde convinha que o peixe não cheirasse "a fénico". Não, não era a "alimentação mediterrânica", nos meios industriais e no interior isolado, era a sobrevivência.

Na terra onde nasci, os operários corticeiros, quando adoeciam ou deixavam de trabalhar vinham para a rua pedir esmola (como é que vão fazer agora os desempregados de "longa" duração, ou seja, ao fim de um ano e meio?). Nessa mesma terra deambulavam também pela rua os operários e operárias que o sempre branqueado Alfredo da Silva e seus descendentes punham na rua nos "balões" ("Olha, hoje houve um ' balão' na Cuf, coitados!"). Nesse país, os pobres espreitavam pelos portões da quinta dos Patiño e de outros, para ver "como é que elas iam vestidas".

Nesse país morriam muitos recém-nascidos e muitas mães durante o parto e após o parto. Mas havia a "obra das Mães" e fazia-se anualmente "o berço" nos liceus femininos onde se colocavam camisinhas, casaquinhos e demais enxoval, com laçarotes, tules e rendas e o mais premiado e os outros eram entregues a famílias pobres bem- comportadas (o que incluía, é óbvio, casamento pela Igreja).

Na terra onde nasci e vivi, o hospital estava entregue à Misericórdia. Nesse, como em todos os das Misericórdias, o provedor decidia em absoluto os desígnios do hospital. Era um senhor rural e arcaico, vestido de samarra, evidentemente não médico, que escolhia no catálogo os aparelhos de fisioterapia, contratava as religiosas e os médicos, atendia os pedidos dos administrativos ("Ó senhor provedor, preciso de comprar sapatos para o meu filho"). As pessoas iam à "Caixa", que dependia do regime de trabalho (ainda hoje quase 40 anos depois muitos pensam que é assim), iam aos hospitais e pagavam de acordo com o escalão. E tudo dependia da Assistência. O nome diz tudo. Andavam desdentadas, os abcessos dentários transformavam-se em grandes massas destinadas a operação e a serem focos de septicemia, as listas de cirurgia eram arbitrárias. As enfermarias dos hospitais estavam cheias de doentes com cirroses provocadas por muito vinho e pouca proteína. E generalizadamente o vinho era barato e uma "boa zurrapa".

E todos por todo o lado pediam "um jeitinho", "um empenhozinho", "um padrinho", "depois dou-lhe qualquer coisinha", "olhe que no Natal não me esqueço de si" e procuravam "conhecer lá alguém".

Na província, alguns, poucos, tinham acesso às primeiras letras (e últimas) através de regentes escolares, que elas próprias só tinham a quarta classe. Também na província não havia livrarias (abençoadas bibliotecas itinerantes da Gulbenkian), nem teatro, nem cinema.

Aos meninos e meninas dos poucos liceus (aquilo é que eram elites!) era recomendado não se darem com os das escolas técnicas. E a uma rapariga do liceu caía muito mal namorar alguém dessa outra casta. Para tratar uma mulher havia um léxico hierárquico: você, ó; tiazinha; senhora (Maria); dona; senhora dona e... supremo desígnio - Madame.

Os funcionários públicos eram tratados depreciativamente por "mangas-de-alpaca" porque usavam duas meias mangas com elásticos no punho e no cotovelo a proteger as mangas do casaco.
Eu vivi nesse país e não gostei. E com tudo isto, só falei de pobreza, não falei de ditadura. É que uma casa bem com a outra. A pobreza generalizada e prolongada necessita de ditadura. Seja em África, seja na América Latina dos anos 60 e 70 do século XX, seja na China, seja na Birmânia, seja em Portugal. 

sábado, 9 de abril de 2011

A minha alma chora!

Ouvi sem desejar ouvir; anotei sem, egoisticamente, desejar anotar. Escrevo desejando escrever, mas porque se deve. Uma senhora idosa, isolada num prédio de bairro dormitório, foi descoberta na banheira, putrefacta, 3 anos depois de morta. Parece déjá vu, temos visto recentemente outros casos. Este parece-me ter uma novidade: a senhora tinha cinco filhos!
Em que sociedade estamos a viver? A política, o governo da sociedade, é só o convencionalismo da democracia formal, institucional, ritual, limitada ao voto ocasional? Uma sociedade de eleitores em que afinal toda a gente exerce o seu poder? Ou isto assim não vai lá, porque não podemos admitir que aconteçam coisas destas a "gente". Sei que os meus amigos sentem o que eu sinto ao escrever "gente". Não é "número de eleitor". Já nem é "povo", com as conotações que tinha na minha ideologia iniciada/iniciática na juventude. É simplesmente gente, "homo sum", que se lixe a luta de classes, embora que ela existe é verdade. E, muito mais, que se lixem as brincadeiras perversas dos meninos ex-jotas de fatinho Armani.
Claro que mantenho a minha perspetiva ideológica, porque, com abertura não sectária (a melhor coisa que aconteceu a Marx foi o colapso do mundo comunista) e porque acho que ela me permite refletir com abertura mas num quadro mental enquadrador e facilitador. Todavia, com dificuldades. O conflito de classes determinava mudanças, mas muitas vezes sem mudança de sistema. De longe em longe, revoluções, às vezes fracassadas (1848, 1870, mesmo 1917 muitos anos depois). Hoje, parece-me diferente. Não é só o fim de um ciclo político-económico, é a mudança para novo paradigma de civilização.
Desviando a conversa, mas ainda sobre "todo o mundo é composto de mudança", refleti há dois dias com os meus alunos (disciplina de "Racionalidade científica", na licenciatura em Biologia da Universidade Lusófona) com muito interesse e com sucesso, sobre o sentido otimista do progressismo, sobre a dialética, sobre o novo humanismo científico, sobre o princípio antrópico, sobre a espiral dos "retrocessos" aparentes mas a nível superior de evolução, sobre Hegel e Marx (percebendo eles que eu estava a falar do Marx filósofo e cientista, sem intenções minhas propagandísticas). 

O resultado, em primeira reação, foi de perplexidade. Muito menos, afinal, do que há umas semanas atrás, quando me disseram "ó professor, esse gajo é um chato!". O gajo era Descartes... mas esse desabafo foi no princípio da aula. Depois, desta vez, eles mais abertos para a filosofia - ou melhor, como tento fazer, apenas uma conversa inteligente, para que só me falta o jardim, peripateticamente - uma discussão interessantíssima, para que o horário da aula não chegou. Nunca me gratificou tanto ser professor. Geração à rasca? Talvez, mas com todas as condições para vencerem essa batalha.
Voltando ao princípio da conversa: e essa tal pobre senhora pertencia à geração à rasca de licenciados com emprego precário? 

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Entrevista do Bibi

Espantoso! A SIC Notícias acabou de exibir uma entrevista com Carlos Silvino, "aka" Bibi. Nunca foi pedófilo, nunca transportou crianças, nunca foi a nenhuma das tais casas, todos os condenados são pessoas impolutas, foi pressionado, tudo efeito de medicação que lhe deram (durante anos e anos de julgamento).  O que está por detrás disto?

E o que é hoje a SIC Notícias, o covil de Mário Crespo mais os seus "velhos, rapazes e burros"? Mais os economistas de serviço.

P. S., 26.1.2011 - Bibi dá a entrevista, contacta entretanto outros condenados "para lhes pedir desculpa", dispensou o seu advogado. Cheira-me a que tudo isto é despudorada chicana jurídica, a contribuir para a crise em que a nossa Justiça está mergulhada. E também não ajuda nada que o inefável bastonário tenha recebido Bibi acompanhado por outra pessoa que ele não sabe quem é. Marinho Pinto recebe pessoas que não sabe quem são?

domingo, 23 de janeiro de 2011

Homossexuais, direitos e abusos

Não há muitos países que, como Portugal, aceitem o casamento homossexual. Será isto sinal de tolerância, avanço cultural, ausência de homofobia? Engano. O Eurobarómetro diz que 68% dos portugueses são homofóbicos. Em entrevista recente ao Público, Miguel Vale Almeida diz que “é assustador, sem dúvida. Nós sempre falámos que assim que tivermos o casamento e assim que as questões LGBT estiverem integradas na agenda política e mediática e passar a ser normal falar-se do assunto, como já é, a homofobia declarada vai crescer.”
Vem isto a propósito do caso Carlos Castro. Meia dúzia de amigos chegados fizeram-lhe o elogio fúnebre, depois o homem foi esquecido. Em contrapartida, há todo um movimento de apoio, compreensão, desculpabilização em redor do seu assassino confesso. É interessante que este movimento tenha um ponto central comum: o Renato não era homossexual. Não tem pecado. Ele “passou-se” porque deve ter sido muito provocado. Muito provocado, entenda-se, é ter sido assediado para ir para a cama com um velho homossexual conhecido e com todo um ar de lúbrico. Talvez - estou meramente a conjeturar - assédio para variante de "passivo", depois de eventuais experiências de "ativo" que, para jovens da minha geração (e mais tarde?), não eram consideradas como homossexualidade, antes como exploração "máscula" de p... Lá voltaremos.
Começo por Carlos Castro. Não era personagem notável, a título nenhum. Croniqueiro de fofocas, promotor de um jet set ridículo, à portuguesa, escriba tosco. Homossexual, contra o que nada tenho, mas efeminado daqueles sempre à beira de ataque de nervos, de chilique, de raivinhas e fofoquices, sensibilidades extremadamente desviantes, enfim mariquices que confesso que, esteticamente, não consigo que me agradem. Mas foi a vítima, e em condições, tudo indica, em que o seu comportamento foi mais do que aberto e claro.
O jovem assassino é outra coisa, produto infeliz de uma alienação que faz prosperar cadeias televisivas, gente da moda, aprendizas de Big Brothers, gente rasca que é inculta e exploradora da triste ambição de sucesso fácil que a máquina de deformação mental e moral anda a trabalhar. À viva força, mesmo depois de muitos falhanços, quer ser modelo, porque o mundo da moda lhe é apresentado como muito mais glamoroso do que o da cultura, por exemplo, ou o de qualquer trabalho que ele provavelmente despreza como rotineiro. Gente da cultura aparece no JL, no Ypsilon ou na Actual, coisas que ninguém lê; gente da moda aparece nas capas de tudo o que é revista lida por milhares de madamas no cabeleireiro.
Para isto, vale tudo. Ou o rapaz é um atrasado mental (e também a sua mãe, que confessa ter sido complacente com toda a história, porque sempre teve “mentalidade aberta”) ou foi um oportunista a explorar a vulnerabilidade de um patético velho homossexual, confessadamente carente de afetos, lá para esse lado, e que se apaixonou pelo efebo, variante do outro lado do espelho do caso Lolita. Ou da Morte em Veneza, magistralmente contada por um Visconti que conhecia bem essas situações.
O rapaz envia mensagens explicitamente de namoro homossexual, manda beijos ao coitado. Aceita prendas. Vai repetidamente para hoteis partilhando o quarto. De repente, descobre que não é homossexual, a sua redescoberta virilidade dá para a extrema violência. E há psicólogos de serviço que já só falam na quase certeza de uma crise psicótica, de uma irresistível revolta do eu, que torna inimputável o rapaz da fotografia em cuecas na praia, máximo da realização pessoal. E já há uma petição na net para a sua extradição. Aposto que vai ter milhares de assinaturas. Não sei para que lhe serve, porque, no estranho código das prisões, vai ser o “bonitinho de serviço” tanto nos EUA como em Portugal.
Dito isto, confesso que tenho alguma pena do rapaz, apenas por me parecer que ele é um produto imbecil, provinciano, com desconstrução familiar, de toda uma máquina poderosa que está a fazer, desde há anos, a geração dos “Morangos com açúcar”. A TVI, José Eduardo Moniz e a sua dama, Teresa Guilherme e outros que tais, são inimigos públicos.
Mas também esta nota me leva, marginalmente, a alguns apontamentos soltos sobre a homossexualidade. Brevemente, a começar, a rejeição da atitude gay frequente de que a comunidade gay representa o melhor dos mundos, nem sequer um mundo equivalente ao meu mundo “straight”. Afirmam, orgulham-se, mas não o querem discutir, acolhendo-se ao direito à diferença. Têm direito absoluto à sua diferença, mas têm de aceitar que, em muitos aspetos, essa diferença vai para lá da simples vida sexual privada, passa para o domínio do público e pode portanto ser criticada, como no caso da afirmação pública, mesmo que subliminar, dessa pretensa superioridade.
Posso criticar os muitos escritos em que os gays, principalmente no meio artístico, quase que relacionam inequivocamente essa característica psicológica-sexual e a sua qualidade artística, a sua “sensibilidade”. 

Também detesto a ideia do “gay pride”. Parece que me estão a atirar à cara a tal suposta e longe de demonstrada superioridade. Passa-me pela cabeça alinhar em festas e cortejos de “straight pride”? Uma coisa é ser diferente, ter direito a essa diferença. Outra é fazer disso motivo de orgulho, afinal minoritário. Orgulho tem sempre um referencial, não é sentimento absoluto, é sempre coisa em relação a outro, no limite contra outro. Contra que coisa é o "gay pride"? Como diz a conhecida anedota, “agora há o direito de se ser gay, um dia destes o politicamente correto é obrigarem-me a ser gay”. Admito que estou a provocar protestos, “homofóbico!”, mas paciência, já tenho idade para não ter de contribuir para todos os peditórios, que a reforma é curta.
Muito pior ainda, é a proteção mútua de uma minoria excluída e reprimida, sem dúvida, ter resultado em coisa para mim execrável, mas indiscutivelmente notória: a constituição de um lóbi, de uma associação de socorros mútuos. Não tolero lóbis, não tolero os "jobs fot the boys" partidários, não tolero a maçonaria, não tolero o Opus Dei, também não tolero o lóbi gay. E ele é fortíssimo, vejo-o no meu dia-a-dia. Diga-se que, ao que me parece, principalmente o lóbi gay masculino. Porque não o feminino é coisa que o meu desconhecimento do meio não me permite compreensão, mas que me deixa curioso.

Para terminar, correndo o risco de me considerarem vaidoso, não será verdade que reina por aí algum medo de escrever o que estou escrevendo?

P. S. (13:44) - caiu que nem sopa no mel, em relação a este "post", a leitura diária da imprensa online, com este artigo do Público: "Um guia para o star-system português".