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quinta-feira, 20 de setembro de 2012

O génio colossal de Vítor Gaspar

1. Segundo o Público, referindo-se às Grandes Opções do Plano,
“O Conselho Económico e Social (CES) avisa que o agravamento da Taxa Social Única dos trabalhadores (TSU) de 11% para 18% irá penalizar "fortemente" a procura interna", contribuir para a quebra das receitas fiscais e que se corre "o risco de uma espiral recessiva" nos próximos anos em Portugal.
(…) Os parceiros sociais lamentam que o executivo não apresente "nenhum impacto [da subida da TSU] no que se refere aos efeitos na procura interna" e, consequentemente, não tenha em conta os seus efeitos nas receitas do Estado. "Tendo em conta a experiência recente, não é feita a análise da incidência desta medida na degradação da receita fiscal e consequentemente no défice das administrações públicas."
O quê? O governo, o brilhante economista Gaspar, não entraram em conta com o que o senso comum de tanta gente não economista, eu incluído, faz logo pensar, em relação a uma economia muito mais dependente da procura interna do que das exportações? Que o hipotético efeito da redução da contribuição patronal, em termos de competitividade exportadora, é mais do que anulado pela retração da despesa de todos os que viram o seu poder de compra diminuído em 7% pela subida da TSU? O ódio dos neoliberais a Keynes é assim tão cegante? Não dá para acreditar!

2. Também no Público,
O ministro das Finanças elogiou esta quarta-feira a “tolerância e maturidade” dos manifestantes contra as medidas de austeridade e sublinhou que a troika sairá mais depressa de Portugal se o programa de ajustamento for concluído. (…) O ministro defendeu que para terminar a intervenção externa da Comissão Europeia, BCE e FMI, “a única hipótese é concluir com sucesso o processo de ajustamento, para não ser necessário mais tempo”. Tudo o resto, advertiu, “só fará a troika ter de ficar mais tempo em Portugal”.
Surrealista! Como, para Gaspar, a manifestação era pela saída da troika, vá de virar completamente a argumentação, apoiar a sua saída, “como os manifestantes”, mas por rápida e dura aplicação do programa da própria troika. Ela vai sair quando já lhe tivermos dado tudo.

Gaspar não pode ser tão obcecado que não tenha ouvido, nas reportagens sobre as manifestações, que os clamores mais fortes não eram contra a troika, eram a mandar para a rua o seu governo, eram a chamar-lhe ladrão (ouvi  muitos a mudarem o “l” para “c”). Está a brincar conosco, a ofender a nossa inteligência? Não dá para acreditar.

“Quousque tandem abutere, Catilina, patientia nostra?”

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Alcácer Quibir

Estudos anteriores do Banco de Portugal e outros, até apoiados pelo grão-”nerd”, indicavam que a mexida na TSU era ineficaz ou mesmo perigosa. Tanto quanto sei, não quantificavam os efeitos no emprego.

Um estudo recente que ninguém conhece e que ele não divulga, lá do seu círculo pseudo-académico de iluminados, diz o contrário e ele, sem mais ponderação, sem comparação crítica dos dois estudos, apenas com a fé dos fanáticos que o move, inverteu o rumo. Anuncia efeitos no emprego: criação de 50.000 novos postos de trabalho.

Hoje, um grupo de professores portugueses de economia (pelo menos um dos quais, Luís Aguiar-Conraria, doutorado nos EUA - vejam o seu blogue, “A Destreza das Dúvidas”), publicou no sítio da U. Minho um estudo de contradita, “Emprego e TSU - O impacto no emprego das alterações nas contribuições dos trabalhadores e das empresas”. Anuncia efeitos no emprego: destruição de 68.000 postos de trabalho.

Em que ficamos?

Não sou economista, não sei quem tem razão, embora o meu senso comum me diga que o excedente de tesouraria com que vão ficar as empresas não vai ser aplicado em criação de emprego. Com ou sem mexida na TSU, qual é o empresário que arrisca contratar novos trabalhadores em época de tal crise? E em que é que essa mexida altera a situação das empresas, a maioria, que produzem para o mercado interno, um mercado em depressão? Vão baixar preços, para compradores que viram proporcionalmente muito mais agravado pelo mesmo processo o seu poder de compra? Afinal, a economia é coisa muito difícil de entender?

O que vejo é que esta medida de economista louco e à Frankenstein, posta em prática pelo seu chefe governante pouco dotado e inculto, não tem obviamente fundamentação técnica, que nunca foi experimentada, que é contradita por estudos científicos como este de hoje.

Gaspar é um fanático, talvez mais desviante do que isto, um homem que usa o poder para experimentações de “comprovação” da sua fé, vendo só números no que todos chamamos gente. Nunca um tresloucado teve tal poder em Portugal, desde D. Sebastião. Vamos outra vez para Alcácer Quibir? 

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Calinadas

Ouvi há pouco o ministro Gaspar, naquele seu tom monótono, pausado e escolástico, que só tem rival no estilo de António Barreto desde que é sábio. Disse o ministro: "2015 é o ano que vem logo a seguir a 2014". Não ouvia uma pérola destas desde os tempos do venerando chefe de estado também conhecido como cabeça de abóbora. "Esta é a primeira vez que aqui venho desde a última vez em que aqui estive", lembram-se?