domingo, 30 de setembro de 2012

Carta aberta


Caro Rui Tavares e seus colaboradores,

Não tenho por regra absoluta, neste blogue, poupar os amigos, não dar argumentos aos adversários. Tanto quanto possível, evito fazê-lo, mas julgo que a melhor forma de conquistar adetos é escrever honestamente, doa a quem doer, mesmo aos "amigos".

Há meses, segui com muito interesse, embora sem nela ter sido chamado a participar, a serie de reuniões promovidas por Rui Tavares, de que alguns amigos me foram dando notícias e em que julguei ver a possibilidade do que então julgava prioritário, a criação de um novo partido. Afinal, a montanha pariu um rato.

Esqueci, afinal mais um fogo fátuo  nesta situação de grande confusão política. Mas ontem fui confrontado no Expresso com mais um manifesto da sua iniciativa que não adianta nada, tem propostas que hoje são assumidas como elementares pelos movimentos que contam, os que estão na rua, a gente que se manifesta nas redes sociais, os que escrevem em blogues. Os seus dois últimos parágrafos, de conclusão e propostas, são redondos. O que pretende Rui Tavares?

Pior é a caracterização que faz de outros combates, a que pretende ser alternativa. 1. Promover uma bancarrota que redundaria numa contração ainda mais brutal do estado social e numa inevitável saída do euro [JVC: e isto é indiscutivelmente uma desgraça? Não merece alguma discussão de RT?]. 2. Defender uma renegociação da dívida, para a qual dependemos da boa vontade dos credores [JVC: dependentes dos credores? “no comments”!].

A criação de um novo partido depende muito de condições práticas. Ninguém as tem tanto quanto os deputados e principalmente, com os seus meios financeiros e técnicos, os eurodeputados. Miguel Portas, com o seu enorme traquejo político, provavelmente iria fazê-lo. Rui Tavares é principiante. Remeta-se a essa sua condição ou então dá-nos razão para pensarmos que tem nisto uma outra agenda.

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