segunda-feira, 21 de maio de 2012

“Na Grécia, o povo é quem mais ordena”


Cipriano Justo, meu velho e caro amigo, mandou-me o texto abaixo, para minha subscrição. Claro que sim. Pode parecer antagónico com o que escrevi, que não vou em manifestos moles. Isto é diferente, é uma manifestação curta, sucinta mas forte de solidariedade com os nossos companheiros gregos, como desejam que um dia destes a tenham connosco os nossos amigos espanhóis e italianos. "Primeiro foram os comunistas, mas não era nada comigo…"
Carta aberta aos Presidentes do Parlamento Europeu, da Comissão Europeia, do Banco Central Europeu e do Fundo Monetário Internacional 
Nas eleições de 6 de Maio o povo grego exprimiu democraticamente a sua vontade, manifestando a sua oposição às condições impostas pelo programa de assistência financeira. Essas condições lançaram os gregos no desespero e na miséria. Pela sua brutalidade, as medidas do programa estão a dilacerar a sociedade grega, provocando rupturas incompatíveis com uma recuperação social e económica que salvaguardem os padrões de vida aceitáveis para a dignidade de todo o povo.   
Goradas as negociações para a constituição de um governo, os gregos vão regressar às urnas no próximo dia 17 de Junho. Trata-se de uma decisão enquadrada nas regras democráticas daquele país. Porém, está a assistir-se da parte dos mais altos representantes das instâncias internacionais a declarações que em nada facilitam uma solução ajustada à situação que se vive naquele país. Pelo contrário, as tomadas de posição já conhecidas vão no sentido de influenciar e condicionar a liberdade de escolha e decisão dos gregos, ao colocar na agenda política, ao arrepio dos tratados europeus, a sua saída da zona euro com todas as consequências daí decorrentes. 
Por outro lado, no mesmos sentido da consulta eleitoral na Grécia, os resultados das consultas eleitorais realizadas recentemente em França, na Alemanha, em Itália e no Reino Unido deram um sinal inequívoco de que também naqueles países as populações estão a rejeitar as medidas de austeridade que lhes querem impor em nome de um ajustamento orçamental cujos exemplos já conhecidos em nada estão a contribuir para melhorar as economias, nem sequer se revelam úteis para atingir o apregoado objectivo de resolver o problema das suas dívidas públicas. 
Por estas razões, os signatários desta carta aberta entendem que nas actuais circunstâncias se deve prestar todo o apoio e solidariedade com o povo grego, expressa sob a forma de uma exigência de cancelamento das medidas de austeridade que lhe foram impostas. Entendem também que os governos europeus não devem poupar esforços junto da Comissão Europeia e do Banco Central Europeu para ser encontrada uma solução que alivie a tensão que nestes dias se vive em toda a Europa. Exigem, finalmente, que sejam respeitados os resultados das eleições de 17 de Junho enquanto escolha democrática do povo grego.
O documento, assinado inicialmente por sessenta pessoas, está aberto à subscrição pública, neste endereço

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