sexta-feira, 20 de abril de 2012

Novo partido (III)


Quando falo na necessidade de um novo partido, como aqui e em outras entradas anteriores, partilho-me. Eu, político ainda com desejos porventura caducos de intervenção, gostaria de um partido em que visse os meus ideais revolucionários, mas sei que o ótimo é inimigo do bom. O que tenho defendido é outro partido, o que puder ser já será muito.

Há bastante tempo, adiantei algumas características que me parecem essenciais para o sucesso de um novo partido de alternativa, que combine a coerência e avanço das suas posições com a sua capacidade eleitoral de atração de tanta gente perplexa. Depois, fui escrevendo mais coisas a amigos. Agora recompilo tudo. E até estou disposto a seguir o conselho do meu grilo falante: “se queres chegar ao Sr. Zé, nem fales de esquerda!”
Então, para já, algumas coisas centrais e simples que cumpram o tal objetivo essencial de oferecer uma alternativa a muitos eleitores que não confiam na “esquerda radical”: 
– Um partido que ganhe uma imagem de credibilidade junto de eleitorado que até pode não se rever na esquerda partidária atual (desculpa, F, não consegui não escrever esquerda!) mas que é sensível à pedagogia política séria, à honestidade inteletual, ao rigor das análises e à informação correta.

– Um partido que, a pretexto disso, também não se acantone no convencionalismo da democracia representativa formal e que esteja aberto a todo o processo histórico revolucionário.
– Um partido que combine o respeito pelos valores e ideais tradicionais da esquerda com uma compreensão, traduzida na ação, das grandes mudanças sociais das cinco últimas décadas, na estrutura social, no trabalho, nas aspirações individuais.

– Um partido que dê aos eleitores a ideia de que realismo, bom senso, sabedoria proverbial, não são incompatíveis com a mudança e a luta.

– Um partido de gente séria, sem mancha, que nunca possa ser acusado de aproveitamentos por parte de seus dirigentes.
– Um partido que não sobrevalorize as reivindicações estritamente materiais em relação aos aspetos qualitativos de aspirações individuais, de bem estar, de qualidade de vida, incluindo os ambientais e a gestão racional dos recursos.
– Um partido que, sem prejuízo da convergência na ação, não prejudique a sua própria imagem específica e afirmação junto dos eleitores por preocupações irrealistas de unidade, nomeadamente com o PS tal como ele é hoje. 
– Um partido que articule de forma potencializadora a atividade a nível de Estado com a atividade junto dos corpos intermédios.
– Um partido que defenda um projeto progressista de união europeia mas que não fique refém desse projeto como quadro principal das lutas nacionais, muito menos de solução em prazo útil da crise do euro. Que saiba que a luta europeia não pode ser usada como manto diáfano de fantasia alienante, que exige a ação de governos por nós eleitos com a coragem de se defrontarem à mesa de Bruxelas.
– Um partido que esteja aberto, publicamente, à consideração e estudo, a curto prazo, mas sem ideias preconcebidas, de todas as hipóteses alternativas à política ordo-neo-liberal traduzida na austeridade que nos é imposta, nomeadamente a reestruturação da dívida e/ou a saída do euro.
Afinal, e obedecendo ao conselho do meu grilo, um partido que não tenha de falar de esquerda, porque quem o seguir é que aprenderá na prática e não nas palavras o que é ser de esquerda.

1 comentário:

  1. Os cidadãos não podem ver os políticos como um 'paizinho'... devem, isso sim, é exigir uma maior fiscalização e controlo sobre a actividade política!
    O Presidente da República pode vetar uma lei... sem querer derrubar o governo!!!
    Os contribuintes devem poder vetar uma despesa com a qual não concordam... sem querer derrubar o governo!!!
    Não é só andar a pagar as dívidas que os governos fazem/deixam!... De facto, quem paga - leia-se, contribuinte - tem de ter um maior controlo sobre a forma como é gasto o seu dinheiro!


    TOCA A ABRIR A PESTANA:
    - Mesmo não sendo a favor da Democracia Directa... todavia, no entanto, o cidadão não pode ficar à mercê das mafiosices dos 'Bilderbergos' e marionetas!!!
    - Democracia verdadeira, já! -> leia-se, DIREITO AO VETO de quem paga (vulgo contribuinte).
    [veja-se o blog fim-da-cidadania-infantil]
    {um ex: a nacionalização do negócio 'madoffiano' BPN nunca se realizaria: seria vetada pelo contribuinte!}

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